Presidente de Associação Brasileira de Rope Jump e Pêndulo Humano diz que houve ‘erros básicos’ que levaram à morte de jovem em Limeira (SP) e defende regulamentação da prática
— O vídeo de uma jovem de 21 anos sendo arremessada sem proteção durante um salto de rope jumping em Limeira (SP) causou indignação no esportista Marco Antonio de Campos, presidente da recém-criada Associação Brasileira de Rope Jump e Pêndulo Humano, fundada neste ano justamente para buscar uma regulamentação que garanta a segurança da atividade no Brasil.
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu após ser lançada de uma altura de 40 metros sem que a corda estivesse presa ao seu corpo. Seis pessoas foram presas. A prefeitura de Limeira informou que vai processar o governo federal na Justiça pela falta de fiscalização na ponte, que seria de responsabilidade da União. A Secretaria de Patrimônio da União, por sua vez, disse estar à disposição das autoridades para colaborar nas investigações.
Campos, conhecido como “Jota”, conhece o local de onde Maria saltou, realiza saltos na mesma ponte desde 2013 e começou a operar comercialmente na região em 2015. “Foi um erro grotesco. Essa é a palavra correta. Quando a pessoa vai saltar, você tem duas coisas para fazer no local: coloca o equipamento na pessoa e, depois de ela equipada, põe a corda e ela salta. Esqueceram metade da operação. Foi um erro muito básico de alguém que não tinha a mínima noção do que estava fazendo”, afirmou.
Outro movimento que chamou a atenção do especialista foi que a jovem foi carregada pelos braços e arremessada pelos instrutores. “A gente não joga o cliente assim. A gente faz isso com amigos e instrutores que conhecemos e já saltaram várias vezes”, diz Campos. Segundo ele, o protocolo tradicionalmente seguido é conduzir a pessoa andando pela plataforma e permitir que ela mesmo pule.
O esporte — conhecido como rope jumping, rope jump ou “pêndulo humano” não é regulamentado no Brasil, não possui normas regulamentadoras e nem leis de segurança, diferentemente da prática do
bungee jumping, que possui regras regulamentadoras. Para o presidente da associação, o rope jumping é mais recente no Brasil e precisa ser regulamentado. “É preciso embarcar projetos de lei, termos de ajustamento de conduta com prefeituras e regulamentar a atividade nos locais onde ocorrem. Proibição não é o caminho, o melhor é regulamentar e permitir que só opere quem tem condições de operar.”
Qual a diferença entre a diferença de rope jumping e o bungee jumping?
O rope jumping é um esporte parecido com o bungee jumping, conhecido há mais tempo no Brasil, mas há diferenças. As duas práticas envolvem um salto de uma altura.
No bungee jumping, a corda é elástica e a pessoa é presa pelos pés. Durante a queda, o corpo faz um efeito de “ioiô”, ou seja, vai e volta como se estivesse “pingando”. O elástico absorve o impacto durante o salto. O bungee jumping começou a ser praticado no Brasil com mais ênfase nos anos 1990.
No rope jumping, a pessoa é presa com cordas pela cintura e pelo peitoral. Uma corda vai presa no peitoral e outra fica presa em uma cadeira que fica atrás da cintura, fazendo com que a pessoa fique “sentada” durante o salto.
As cordas não são elásticas, mas estáticas, e ficam presas em outro lugar da ponte, fazendo com que a pessoa fique em um movimento de pêndulo durante a queda. O movimento pendular do corpo absorve o impacto do salto. No Brasil, o esporte é mais recente. O rope jumping só começou a se popularizar no País depois de 2013.
Três são presos após morte de jovem em rope jump sem corda em Limeira (SP)
A Polícia Militar informou que, até o momento, três pessoas foram presas por envolvimento na morte de uma jovem de 21 anos que praticava rope jump em Limeira, na Trilha da Ponte do Esqueleto, no interior de São Paulo. O caso aconteceu na manhã deste sábado (13).
Segundo as informações do órgão, seis pessoas foram conduzidas ao Distrito Policial local, das quais três permaneceram detidas.
A empresa que realiza os saltos não colocou a corda que deveria segurar a jovem, que foi lançada de cerca de 30 metros.
Pessoas no local teriam realizado manobras de RCP até a chegada da equipe do SAMU, mas o óbito foi constatado no local por politraumatismo. A ocorrência permanece em andamento.
Segundo o boletim de ocorrência, quando os agentes da polícia chegaram ao local, encontraram dois indivíduos próximos à vítima, que foram questionados e quando um dos policiais se afastou para prestar apoio ao resgate, os indivíduos fugiram em direção a uma área de vegetação. Assim, foi solicitado apoio de outras viaturas e da aeronave.
Ainda segundo o documento, a vítima foi arremessada da ponte por três indivíduos, sem a devida verificação ou utilização de equipamento essencial de segurança. Assim, os elementos indicam que os investigados, assumiram o risco de produzir o resultado morte, o qual efetivamente ocorreu. As autoridades apontaram que além da falta de segurança, o local apresenta um histórico de ocorrências graves, inclusive com resultado morte.
O que aconteceu
O acidente aconteceu enquanto a vítima praticava uma atividade de "rope jump" na Trilha da Ponte do Esqueleto, em Limeira. Os funcionários da empresa Entre Cordas, que realiza o atendimento aos praticantes do esporte, não colocaram a corda que deveria segurar a jovem, que foi lançada em queda livre.
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